quinta-feira, 19 de abril de 2018

Visita Religiosa

  Sou contra a visita religiosa nos hospitais ... pelo menos como um privilégio.
  Não é nada contra as religiões é contra a falta de lógica.

  Porque permitir acesso diferenciado a padres e pastores nos hospitais?
    (Líderes religiosos de doutrinas como Umbanda, Hare Krishna, Seicho-no-Ie, Budista, Islâmico, Rastafári ... tem maior dificuldade, dependendo de quem faz a triagem ... quando há triagem.)

  Me disseram que o Brasil tem liberdade de culto.
  E o que isso tem a ver com a entrada de visitantes em um hospital!?

  
  NÃO estou propondo impedir a entrada de líderes religiosos de qualquer doutrina, apenas defendo que devem entrar como visita comum.

  Vamos a uma ilustração.
  A UTI permite entrada de apenas 2 visitantes por motivos óbvios,  quanto  maior a circulação de pessoas, maior a possibilidade de contaminações diversas.
  Essas duas vagas por período são reservadas a familiares.

  Se você é ateu ou sem religião é essa norma que se aplicará a você. 

  Se for religioso praticante tem direito a visita religiosa, costumeiramente os pastores nessas ocasiões andam em pares (não me perguntem porquê )
  Logo, quem tem religião recebe 2 visitas a mais.
  E não é só isso.
  No HC UNICAMP a visita UTI da tarde é dás 16 às 17 horas, mas visitas de   capelania tem horários bem flexíveis.
  Claro que o chefe da UTI tem poder para barrar visitas, mas tem a lei federal, o responsável tem que apresentar um motivo plausível.
  Para evitar possíveis dores de cabeça (Tira o dele da reta😏) geralmente acaba liberando por alguns minutos.

  
  Fica claro que só pelo fato da pessoa frequentar instituição religiosa tem vantagem "indevida" (mas legalizada) sobre quem não frequenta.

  Entendendo as necessidades:

  Se um dia eu precisar ficar internado NÃO quero receber visitas de ninguém.
  A visita será restrita a esposa e filhas. 
  Se você for alguém próximo a mim e souber que estou internado me faça um favor.
  NÃO ME VISITE! 😆

  Qual seria minha necessidade numa situação de internação?
  Um lap top com eficiente acesso a Internet.
  Ficar escrevendo e debatendo me conforta.
  Quem quiser falar comigo use o Face não precisa ir ao hospital.

  Entendo que a visita do líder religioso traga conforto ao crente.
  Longe de mim proibir esse tipo de contato principalmente em momentos difíceis como o caso de internações.

 
Se a visita do pastor é tão importante o familiar não deveria hesitar em ceder sua vaga ao líder religioso uma vez ou outra.

  Tudo de acordo com as normas do hospital sem privilégios "legais".

   Entendendo a dificuldade de controle.

  As máquinas utilizadas nas gráficas evoluíram muito.
  Em um estabelecimento bem simples é possível produzir cartões personalizados de todo tipo a baixo preço.
  Você escreve o que quiser neles.
  Abrir igrejas ou denominações religiosas é muito facil no Brasil.

   “Não há qualquer requisito teológico, doutrinário ou número mínimo de fieis, e basta ao interessado procurar um cartório, pagar algumas taxas que não chegam a R$ 500,00, arrumar uma garagem ou uma pequena sala e se auto-intitular bispo, pastor, sacerdote, enviado de Deus ou o que preferir.”

  Juntando esses fatos é fácil entender que na prática não há um controle efetivo da emissão de cartões confirmando que alguém é líder religioso.
  Para complicar, as nomenclaturas mudam de igreja para igreja, a nomenclatura pastor não é comum a todas elas.
  Veja um caso.
  No HC Unicamp em enfermarias comuns as visitas são de 2 em 2.
  Se tem 2 visitantes com o paciente só sobe mais gente se alguém descer.
  Um homem solicitou a visita de capelania, no seu cartão estava escrito diácono.
  Na igreja da qual faz parte (segundo ele) diácono equivale  a pastor.

 
Como um atendente que não é da igreja dele pode saber disso?
  Na dúvida libera ou não a visita de capelania?

  Como houve uma certa animosidade o atendente resolveu liberar para evitar "dor de cabeça". 
 (Tirar o dele da reta ... obrigatoriamente isso acontece muito em nossa cultura, eu mesmo faço isso para não sofrer demais...)
  Ao pegar o nome do cidadão percebeu que ele era pai do internado e que já havia duas visitas com o paciente.
  Essa visita era mesmo de capelania?
  Tirem suas conclusões.
  A minha aposta é que foi o uso indevido de uma estranha lei federal.

  Sempre escrevo que os políticos que elegemos são o reflexo da nossa Cultura.
  Não dá para melhorar nosso Congresso se cada um não buscar uma melhora cultural, ser mais civilizado/racional.
  Boa parte dos brasileiros buscam privilégios para qualquer categoria da qual façam parte.
  Não perdem a oportunidade de legalizar uma vantagem indevida...




    Tenham certeza que esse texto pode me trazer problemas de toda ordem.
   Principalmente de rejeição e animosidade.
   Se eu deleta-lo ... fui obrigado a tirar o meu da reta...😓



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